Massas artesanais

Massas artesanais, tipo Ravioli, Tortelli, Talharine, Lasanhas, Nhoques, com recheios de sua preferencia como por exemplo: Bacalhau a provençal, Carne assada, Gorgonsola, Beringela com nozes, etc.



Tudo fabricado com produtos frescos e orgânicos.Trabalhamos sob encomenda.



Elaboramos ainda, patês, conservas e molhos.



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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Comida de alma
Nina Horta

Comida de alma é aquela que consola, que escorre garganta abaixo
quase sem precisar ser mastigada, na hora de dor, de depressão,
de tristeza pequena. Não é, com certeza, um leitão pururuca, nem um
menu nouvelle seguido à risca. Dá segurança, enche o estomago,
conforta a alma, lembra a infancia e o costume. É a canja da mãe judia,
panacéia sagrada a resolver os problemas de náusea existencial. O
macarrão cabelo de anjo cozido mole e passado na manteiga. O caldo
de galinha gelatinoso, tomado às colheradas. São as sopas. O leite
quente com canela, o arroz doce, os ovos nevados, a banana cozida
na casca, as gelatinas, o pudim de leite.
Nora Ephron, autora de A difícil arte de amar, com o casamento
acabado, grávida, enjoada, traída, vota pelo consolo da batata: "Nada
como um bom purê quando se está deprimido. Nada como ir para a
cama com um prato fundo de purê de batata já saturado de manteiga
e metodicamente ir adicionando mais uma fatia fina de manteiga a cada
garfada".
Comida de alma tem de ser neutra. Sorvete é comida de alma? Não é.
Tem um pique gelado que a tristeza não suporta. A temperatura deve
estar entre ambiente e morna. Chocolate vale? Não, nem pensar.  É
sexy, sedutor, pressupõe prazer e culpa.
Tudo tem de ser especial na comida de alma. A tia Léonie ,de Proust ,
comia seus ovos com creme em pratos rasos, com desenhos e legen-
das. Punha os óculos e decifrava contente: " Ali Babá e os quarenta
ladrões", ou "Aladim e a lâmpada maravilhosa".
O mingau de aveia ou fubá pode ser em prato fundo, o quadrado de
manteiga se derretendo por cima. O leite em boa caneca grossa, o
chá em xicara inglesa florida, e, para casos extremos, a mamadeira,
é claro. A comida, de preferência, deve ser bebida aos goles ou tomada
de colher. A faca é quase sempre supérfula.
Um livro português trata do assunto, mostrando que a preocupação 
com comidas de alma vem de longe.É O Cozinheiro Indispensável  
(Porto,1844), que traz um subtitulo enigmático: Guia prático dos
enfermos pobres, dos doentes ricos e dos convalescentes remediados.
Dá receitas como o caldo confortativo, uma papinha pastosa, de se
comer com lágrimas nos olhos.
A leitora Martha Harriss deixou recado na secretária eletrônica depois
de ter lido qualquer coisa que escrevi sobre sagu. O sagu também é
detonador de lembranças, de mingaus, de cálices cheios de pérolas
transparentes, de convalescenças preguiçosas. É comida de criança,
sem desafios.
E na classe dos angustiados, dos que querem comida de alma, há os
obsessivos do sagu. A Martha leu o texto e só viu brilhar o sagu. Ela
própria era um manual de como cozinhar sagu, mas não bastava.
Queria mais. Informações difíceis de encontar. Os restaurantes não
têm, só servem musses de kiwi e tiramissú. Os cadernos das avós
calam a perversão do sagu. Só um antigo livro de trato familiar com as
colônias de além-mar conta que o sagu chegou de longe, via Companhia
da Indias.Era feito do núcleo da medula de certas plantas nativas da
Malásia. Incomum, exótico, apareceu em grandes mesas. Fez sucesso
como remédio. Quarenta gramas de sagu misturadas com duas xícaras
de água e temperadas com vinha branco curavam a tuberculose.Em
1920, o avô da Martha Harriss aconselhava o sagu para deter a cólera
e fortalecer os convalescentes, por ser de fácil digestão e refrescante.
Os pacotinhos que compramos no supermercado são sagu de mandioca;
em 1895, O doceiro nacional  aconselhava que se batessem bem as
gemas com açúcar e se fosse acrescentando vinho tinto. Depois se
juntasse um pouco de sagu, passas, amêndoas peladas e socadas ou
meio coco ralado. Que tudo isso fosse levado à panela e fervido até
que o sagu cozinhasse. Despeja-se, então, em pequenos cálices, e
polvilha-se canela e açúcar.
Martha, experimentamos sagu com vinho, acompanhado de creme inglês
bem gelado, e seu avô tinha toda razão. Que delícia, que frescura, que
delicadeza. Faz lembrar um outro tempo, mais puro, mais seguro.
Fizemos uma calda com 4 xícaras de água, 1 xícara de açúcar, canela
e cravo. Juntamos 1 xícara de sagu. Fomos colocando vinho aos
poucos, à medida que a calda engrossava. Servimos com creme inglês.
De outra vez substituímos o vinho por uma xícara de morangos amassados
e não pusemos nem canela, nem cravo. Ficou melhor ainda.
Martha leitora, graças a você o sagu foi redescoberto e é comida de alma
com certeza.

Macarrão Cabelo de anjo
Cozinhar o cabelo de anjo até passar um pouco do ponto.Escorrer e
rapidamente colocar 1 boa colher de manteiga salgada ou quantas
colheres você e ele aguentarem. Comer às colheradas.

(do livro NÃO É SOPA, de Nina Horta, Cia das Letras)
 





domingo, 6 de fevereiro de 2011

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